terça-feira, 27 de abril de 2010

POBRE DO POBRE HOMEM QUE NÃO ENGANA, O EMANOEL VIANA





Na verdade não é tão pobre assim, agora mesmo ao fechar o imposto de renda, sem ainda não falsificar nenhum dado, pagou mais de 35 mil reais na fonte. Mas, é pobre, não tem onde roubar, onde desviar dinheiro público, onde ganhar sem fazer força. Não é político do executivo, nem do legislativo, nem pertence ao ministério público, nem ao judiciário, nem de empresas contratadas pelo governo, em qualquer instância ou esfera.

Luta, se mexe mais que caranguejo em lata quente ou mulher gostosa em colchão de água, na hora do gozo. Atualmente está com problemas, a mulher resolveu abandonar a casa a Deus dará e quer vende-la e ir morar em apartamento. Ficou enojada dos vizinhos, chateada com os empregados e acha que não tem segurança. Tem razão?

Esquece, a dita cuja, do passado,.... mas quem vive de passado é museu, me dizem alguns. Recordar é viver somente para os velhos.

E o projeto da casa? O trabalho de a construir, de se mudar sem as portas? Equipa-la devagarinho. Fazer o plantio das árvores, o cajueiro (que foi cortado em nome da segurança), a juçareira (que o pobre mandou cortar para economizar na nova bomba do poço pois a árvore estava entupindo o mesmo), os coqueiros que dão cocos, as mangueiras com seus três tipos de manga; tem a caramboleira, a goiabeira, as bananeiras, enfim, o pau brasil que encontramos; o oitizeiro cortado em razão de não se sujar demais e pela raiz e finalmente a imbaúba, cortada em nome da segurança para não cair raios. Há história das plantas, da flora brasileira, no quintal.

Sem contar com os animais.

Primeiro a casinha dos que se foram, os treze filhos. O mais velho, PUFF; a moça, PAFF; e os onze filhos. Ficaram em casa três, JUNIOR, TIBOR E ANGELICA; depois dois, TIBOR E ANGELICA; um morreu, a ANGELICA, e ficou somente o último, meu molecão TIBOR, que sofreu um ataque do coração em razão dos vizinhos. Naquela ocasião é que devia ter vendido a casa.

Foram enterrados no quintal, todos devidamente acomodados. E agora? Sem contar com os camaleões (Vinicius, Zé Reinaldo, João Alberto, Mirim) as pipiras, os bentivis, os xexéus, e tantos outros bichos que habitam a casa. Há que se pensar na fauna brasileira, no quintal e do quintal.

E as brigas?

Brigou-se com o Restaurante que fazia barulho. Até hoje se paga indenizações por tiros para fazer valer a lei do silêncio. Brigou-se com a Igreja pelo barulho que, hoje faz pouco mais ocupou todo o espaço, cresceu tanto que usa, agora, de fato, o muro com o seu prédio, sem contar com a falta de educação, o barulho dos carros, o escapamento perto dos quartos, tudo isso que se passou, embora continue em alguns pontos.

O Ministério Público que, irresponsavelmente, ainda hoje ocupa área institucional do município por incompetência e medo dos prefeitos de São Luis. Fizeram tanto barulho, ainda fazem, mas já construíram um espaço fechado para suas farras maiores. Há de se presumir que vão criar vergonha e deixar de fazer barulho. Desde 1991 que fazem barulho, agora que há uma promessa, quer vender a casa?

Pobre do pobre.

A casa é de madeira, mais o muro, mais a elevação de concreto para sua colocação, valem uns 250 mil. O terreno é de 800 metros quadrados no loteamento quintas do calhau, deve valer uns 300 mil. Total, meio milhão. Só. A especulação e o futuro é que fazem valer mais, pois é de esquina e pode ser contíguo ao terreno da frente ou de lado (Deus me livre) se for comprado para a maldita Igreja.

O terreno da frente, na Avenida dos Holandeses, do mesmo tamanho, vale 1 milhão. Pedi, naquele momento com vontade de vender, 1 milhão e meio, o comprador saiu rindo, quase se mijando com a pretensão. Foi o preço pedido pela casa de madeira e demais instalações em abril de 2010.

E o pobre ainda ameaçou, se o comprador for a Igreja, somente 5 milhões, até o dia 30 de junho de 2010. Ficou como ficou, pobre até no pedido. Pobre é que pede demais, fica sem trabalho, no dia que arranja, quer ganhar o ano todo. Pobre.

Ficou o quê? A mágoa do pobre com a pobre da mulher que quer vender a merda da casa e do terreno, com seus motivos.

O pobre ficou mais pobre, mais magoado e agora tenta expulsar do íntimo as mágoas.

É assim, a vida é isso.

A gente fica mais leve quando publica as intimidades,ainda que possam constranger ou a gente ficar constrangido depois de publicá-las.

O pobre vai continuar com seus pobres sentimentos, seu pobre passado e suas pobres lembranças e recordações. Ajudem o pobre, desejem que ganhe da mega sena.... aí deixará de ser pobre, pelo menos financeiramente.

Reflexões à parte, moro bem, tenho minha biblioteca, tenho meus bichos, minha área de lazer, meu terraço que fiz em homenagem a Adinha (Ada Viana), enfim tenho tudo que quero, embora não tenha tudo o que imagino. Vivo bem, tenho saúde, tenho vida, tenho vontade de viver, ainda.

É isso... são apenas reflexões íntimas e confidenciais para todos.

Um comentário:

Athos disse...

Muito bom, adorei