sexta-feira, 12 de março de 2010

BANHOS E BANHEIROS ....


ÁGUAS A ROLAR:

um banho de história

Silvia Jorge Dino¹

RESUMO

Histórico do banho de várias civilizações, desde a mais remota antiguidade, até os nossos dias, a partir da revisão bibliográfica de estudos já desenvolvidos sobre este tema. Identifica-se a relação homem – água durante vários séculos. Abordam-se a importância dos banhos para a saúde. Citam-se os aspectos que levaram à evolução dos banheiros conforme são encontrados hoje e seus principais aspectos projetuais.

Palavras-chaves: Design. Banho. Banheiro. Higiene. Água

1. Introdução

A higiene e o asseio são práticas humanas que, ao longo do tempo se adaptam ao contexto sócio-cultural em que estão inseridas. Os banhos são uma tradição milenar. Em nome da religião, da beleza e da saúde, civilizações celebraram ou amaldiçoaram – o ato de se lavar.

Atualmente, o desenvolvimento tecnológico e medicinal nos passa uma falsa impressão de que o hábito de tomar banhos, assim como outros cuidados com a higiene pessoal, se aprimorou com o passar do tempo, mas não foi bem assim. Na Idade Média, por exemplo, os ocidentais abandonaram os requintados rituais de limpeza da Antiguidade e mergulharam numa profunda sujeira. Foi preciso muito tempo – e bons exemplos dos povos orientais e indígenas – para que voltássemos à nossas asseadas origens.

Esta pesquisa caracteriza-se como uma revisão da literatura existente acerca do tema. O caráter bibliográfico deu-se a partir de levantamento já realizados sobre o objeto de estudo delimitado, em livros, revistas e sites especializados.

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¹ Aluna do Curso de Especialização em Design de Interiores do Centro Universitário do Maranhão.

E-mail: silvia@elo.com.br

2. O banho através dos tempos

Não se sabe exatamente quando as pessoas adquiriram o hábito do banho, nem tampouco qual foi seu principal motivo: prazer, higiene, objetivos medicinais, motivos religiosos ou finalidades terapêuticas. Há registros de que as pessoas já se banhavam no mar, nos rios, nos lagos e nas fontes, há milhares de anos. Pesquisadores acreditam que, todos os povos, desde tempos imemoriais tenham praticado alguma forma de higiene pessoal semelhante ao banho.

Os primeiros registros do ato de banhar-se individualmente pertencem ao antigo Egito, por volta de 3000 a.C. Os egípcios realizavam rituais sagrados na água e tomavam pelo menos três banhos por dia, dedicando-os a divindades como Thot, deus do conhecimento e Bes, deus da fertilidade. Para muitos especialistas, o ritual acabou favorecendo a saúde deste povo, pois, a higiene freqüente contribuiu para afastar várias epidemias e pragas comuns à Antiguidade.

A Grécia foi um local em que os banhos realmente prosperaram. Os gregos antigos invocavam a proteção de Hera, a mulher de Zeus, durante o banho. Mais tarde ela teve a companhia de Asclépio, o deus da saúde, e de sua filha Higéia (da qual origina a palavra higiene). Nos templos curativos de Asclépio, o banho era considerado parte essencial dos tratamentos de Saúde. Na ilha de Creta é possível encontrar bem preservados palácios de 1700 a.C. a 1200 a.C, que até hoje surpreendem por suas avançadas técnicas de distribuição de água.

Asclépio e Hígia

Ilustração 1 - Asclépio e Higéia

Os pioneiros nos balneários públicos, ao contrário dos que se pensa, não foram os gregos, e sim os babilônios. A diferença é que na Grécia os banhos não eram motivados apenas por higiene e espiritualidade. Entre 800 e 400 a.C, a natação era uma dos três pilares da educação juvenil – os outros dois eram a música e as letras.

Em Roma, muito se herdou da cultura grega no que diz respeito à veneração à água. Com isso, a engenharia romana teve que se adaptar para acompanhar a evolução do hábito dos banhos – assim criaram-se as termas romanas.

As termas romanas possuíam cômodos climatizados através de um sistema de assoalhos construídos sobre câmaras de gases subterrâneos, chamados de “hipocausto”. Cada salão das termas era bem decorado, por artistas, que criaram belos mosaicos, pinturas em murais, bem como ornamentado com esculturas e fontes. Ao redor do pátio central havia uma espécie de sauna, um vestiário e piscinas de água quente, morna, fria e ao ar livre. Tinham ainda jardins, bibliotecas e restaurantes – verdadeiros antepassados dos spas e resorts de hoje.

Os romanos consideravam Minerva, a deusa do comércio, da educação e do vigor, especialmente bem dotada para cuidar do banho. Fortuna, a deusa do destino também era representada nas casas de banho, para proteger as pessoas quando estavam mais vulneráveis. Além disso, havia incontáveis ninfas e espíritos associados a fontes e poços locais, venerados como guardiãs do banho. (RIOTOTAL.COM.BR, 2010)

Na Ásia antiga, assim como na Europa, o banho comunitário era um lugar para socializar. Construíram-se grandes tanques para banhos públicos, no formato de piscinas quadradas ou retangulares com degraus que levavam a locais onde as pessoas se lavavam. Eram tanques geralmente construídos em templos e usados em rituais de limpeza.

Em algumas partes da Ásia, banhar-se e lavar-se nos rios e fontes era outra forma de banhos comunitários ao ar livre. Para o hindu, banhar-se no sagrado rio Ganges significava a purificação. Agurueda, o sistema tradicional da medicina hindu, floresceu com base na sabedoria das culturas mais antigas. O uso do banho era considerado de extrema importância nessa forma de medicina.

3. Os prazeres perdidos

Se no Império Romano as pessoas não tinham o menor pudor de se banharem nesses locais públicos, na Idade Média a coisa mudou bastante. O Papa Gregório I foi um dos mais importantes precursores do repúdio ao banho, ao dizer que o contato com o corpo era via mais próxima do pecado. As saunas eram consideradas locais de pecado, porque as pessoas se viam nuas.

A Idade Média, muito propriamente chamada de Idade das Trevas, protagoniza o total sepultamento dos hábitos de higiene. A Igreja, poder político e cultural absoluto, abominava os banhos tratando-os como “orgias pecaminosas”. Tem início, então, um período de imundície com conseqüências desastrosas para a Europa.

Segundo os sanitaristas, as constantes epidemias que assolaram o Velho Mundo durante a Idade Média foram provenientes da total ausência de higiene por parte da população. Os banhos eram escassos, quase inexistentes. Tomar banho se transformou em uma atividade anual e acontecia em um simples barril, cuja água servia para banhar a família inteira. Primeiro os homens, depois os filhos, as mulheres e por último os bebês.

Ilustração 2 - Banhos de Barril

Como não podia deixar de ser, os piolhos não faltavam e eram disfarçados pelo uso permanente de chapéus e perucas. As mãos eram lavadas, apenas de três em três dias. A maior causa de morte nos doentes tinha a ver com infecções provocadas por falta de higiene dos médicos, que não lavavam as mãos antes e depois de verem e tratarem os doentes.

Lavar o rosto estava fora de questão para não estragar a pele, que poderia se desgastar e a sujeira era escondida sob enormes doses de maquiagem. Os dentes eram lavados com produtos 100% natural: xixi e cinzas!

Os povos orientais, no entanto, trataram de manter o hábito de banhar-se regularmente, bem ativo. Ainda hoje, nos países de origem turco-árabe encontramos as hamans, luxuosas casas de banho onde os muçulmanos tomam banho, depilam-se, passam por sessões de massagem, branqueiam os dentes e se maquiam.

Com o advento das cruzadas, entre os séculos XI e XIII, o hábito de tomar banho ganhou algum espaço. É que fora dos territórios dominados pela Igreja, os cavaleiros cristãos que partiram para o Ocidente, com a missão de tomar a Terra Santa dos mulçumanos, não só passaram a freqüentar as hamans, como espalharam pela Europa a prática de jogar água pelo corpo quando retornavam dos combates.

Ilustração 3 - As Cruzadas recuperaram os prazeres dos banhos públicos. As banheiras tornaram-se lugar de festa, como mostra o italiano Giulio di Antonio Bonasone na gravura do século 16.

Nos séculos XVI e XVII, as noções de saúde e doença mais uma vez se tornou uma afronta ao hábito de se tomar banho regularmente. Os médicos de então acreditavam que as doenças consistiam em manifestações malignas que tomavam o corpo do indivíduo por meio de suas vias de entrada. A partir daí, concluíram que o banho em excesso alargava os poros da pele por onde a saúde escaparia e o mal penetraria, deixando o sujeito suscetível às doenças. Enquanto nações como Portugal e Espanha descobriam, na América, populações que amavam tomar banho, os europeus voltavam para o mundo da sujeira.

As medidas de higiene existentes eram precárias. Entre os séculos XVI e XVIII, o linho limpo era melhor que o banho com água, por ser mais seguro e baseado em princípios científicos. Os sábios acreditavam que o tecido atraia e absorvia o suor. Antes ou depois de qualquer atividade física e após as refeições enxugava-se a pele com um pano e simplesmente mudava-se de camisa. Supunha-se que a roupa branca agia como “esponja” e absorvia a sujeira. Assim, trocar de roupas passou a ser sinônimo de limpeza, e para se sentir limpas, as pessoas usavam punhos e colarinhos impecáveis. Foi nessa época que, para disfarçar o cheiro, as classes altas começaram a importar e usar perfumes. Na corte francesa os nobres se perfumavam para não sentir o cheiro uns dos outros.

Ilustração 4 - Mercador de Perfumes, figura comum nesta época

Se o século XVI não foi notavelmente exigente quanto à limpeza, o século XVII foi muito pior. O banho só foi redimido no século seguinte, com a ascensão da ciência iluminista, que celebrava a razão e defendia a tese de que o mundo deveria ser esclarecido pela ciência. O iluminismo encarava o banho como um meio de se cuidar da saúde e ajudou a fazer do ato de se lavar o símbolo da saúde. Provou-se, então, definitivamente, que as doenças se originavam não do banho, mas da falta dele.

Após um período de claras mudanças na cultura e na mentalidade do homem, conhecido como Renascimento, a força das ideologias herdadas da Idade Média estava cada vez menor. A visão teocêntrica, na qual tudo gira em torno da religião, foi sendo substituída gradativamente pela visão antropocêntrica, onde o homem é o centro do universo. Durante os séculos XVII e XVIII, graças ao desenvolvimento intelectual obtido no Renascimento, o homem passou a refletir mais sobre o mundo que o cercava, tendo chegado à conclusão de que era preciso rever suas práticas políticas, econômicas e ideológicas. Os pensadores da época baseavam-se na tese de que a vida em sociedade deveria servir para proporcionar felicidade, justiça e igualdade, algo muito diferente do que ocorria na época. Desta forma, esses filósofos passaram a condenar o absolutismo, o mercantilismo e a mentalidade imposta pela Igreja. (HISTÓRIA DE TUDO, 2010)

Os civilités, (manuais franceses de etiqueta), publicados até meados do século XVIII, contavam com instruções para limpeza de mãos, rosto, cabeça e cabelo. E a partir de 1820, esses manuais começaram a recomendar que o corpo fosse limpo com um banho. No final do século XVIII, os arquitetos passam a incorporar o banheiro como um cômodo dentro da casa.

Mas a privação da água que durou até o século XVIII e anos de religiosos pregando as propriedades pecaminosas do banho, fez com que nem todos voltassem a tal prática, mesmo com insistentes conselhos médicos. Já cientes do bem que a água podia fazer pela saúde, médicos banhavam doentes à força em hospitais. Não era difícil encontrar pessoas que tendo de enfrentar a experiência do primeiro banho, demonstrasse verdadeiro horror, gritasse e tentasse escapar da sensação de sufocamento e palpitação que a água fria proporcionava. O conceito de higiene surge apenas no século XIX, depois das descobertas de Pasteur e dos seus trabalhos sobre a importância da higiene na saúde. Assim, os hospitais e outros locais de contato com doenças passaram a ser limpos regularmente.

Quando a Rainha Vitória subiu ao trono em 1837, ainda não havia local para banho no Palácio de Buckingham, sede da coroa inglesa. Nos aposentos da rainha havia uma banheirinha – um bidê – portátil. E conta-se que seus vestidos tinham uma abertura especial para facilitar a higiene. Até por volta de 1870 eram raras as casas ocidentais que tinham um cômodo para seus moradores se lavarem.

A popularização do banho só aconteceu no Ocidente a partir da década de 30, do século XX. Até essa época a lavagem do corpo era realizada aos sábados, mesmo dia em que as peças íntimas das crianças eram trocadas. Navios começaram a oferecer cabines de banho e barcos delimitavam áreas em rios que serviam como piscinas naturais.

4. No Brasil e no mundo

Após a Segunda Guerra Mundial, o processo de reconstrução de várias casas permitiu que os chuveiros fossem disseminados por toda a Europa. As casas ganharam banheiros abastecidos cada vez mais com água encanada. A França foi a pioneira nas inovações sanitárias, seguida pela Inglaterra e pela Alemanha.

No Brasil, desde a época colonial, muito pouco se observa em termos de evolução das formas de higiene da população. Os problemas da Europa, no entanto, são minimizados no Brasil, pois desde o descobrimento, o convívio com os indígenas, a abundancia de água e o calor dos trópicos impôs nova rotina aos colonizadores.

Os homens peludos estavam na proa. Os homens pelados estavam na praia. No instante em que se encontraram, no alvorecer de 22 de abril de 1500, o Brasil entrou oficialmente no curso da História [...] Após 44 dias em alto mar, os peludos estavam fatigados e imundos [...] tinham barba e vastas cabeleiras sebosas. Os pelados não estavam apenas desnudos, mas depilados. Os barbudos, quase todos, eram gordos ou magros demais e seus dentes, quando os tinham, estavam cariados. Os depilados exibiam dentes alvos, “bom rostos e bons narizes”, “cabelos corredios e bem lavados”, troncos, braços e pernas musculosos. Os barbudos raramente tomavam banho [...] costumavam lavar-se “de corpo inteiro” apenas duas vezes... por ano. Já os depilados pareciam anfíbios: banhavam-se nos rios, nas cachoeiras ou no mar de dez a doze vezes... por dia (BUENO, 2007).

Ilustração 5 - A intimidade dos índios Botocudos com a água, registrada pelo naturalista alemão Maximilian Philip, no início do século 19: os nativos tomavam até 12 banhos por dia.

Apesar da quantidade de rios e cachoeiras brasileiras, as cidades não possuíam sistemas hidráulicos capazes de conduzir a água até elas. Esse advento só aconteceu no século XIX, tanto na colônia como na Europa. O transporte da água se dava por tonéis e o preço pago por ela era alto.

No começo do século, havia muito cuidado com o consumo de água. As pessoas eram econômicas, já que era difícil conseguí-la [...]. A quantidade de água que era usada naquela época para tomar banho é a mesmo que usamos hoje para lavar as mãos uma única vez. (ZEROHORA.CLICRBS.COM.BR, 2010)

Os chafarizes, bastante comuns nas cidades desde o século XVII, eram lugares de encontros de escravos e depois de negros libertos. Esses lugares se assemelhavam aos banhos públicos que reaparecem no século XIX, com uma sensualidade que beirava a promiscuidade.

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Ilustração 6 - Carregadores de Água. As brigas nos chafarizes eram constantes. Na pintura, escravos e um sentinela

Apesar do país exibir uma grande costa, repleta de fabulosas praias, os luso-brasileiros só passaram a usufruir dos banhos de mar, em meados do século XIX, estimulados pela talassoterapia a que foi submetido, contra sua vontade, o príncipe regente D. João VI, após várias erupções e doenças de pele. O filho mais velho de D. João, o príncipe D. Pedro, que chegou ao Brasil ainda criança, adorava a água e costumava nadar nu nas praias do Rio, sem se importar em ser visto.

Até há pouco tempo no Brasil, o banheiro era um espaço utilitário escondido da vista, no interior das residências, chamado de “saguão”, que requeria somente dois itens: um tanque e uma cuia. O banho consistia em jogar, com a cuia, água sobre o corpo. Era também comum tomar estes banhos ao ar livre, onde a brisa rapidamente ajudava a secar o corpo.

No Japão, o banho é um ritual cotidiano. Todas as casas têm uma sala de banhos, onde se realiza a limpeza da pele antes da imersão. Só se entra na banheira depois de o corpo estar completamente limpo. A água pode ser apenas pura e quente, mas uma tradição centenária sugere acrescentar-se nelas algumas substâncias medicinais, embelezadoras, aromatizantes, revigorantes, purificantes, simbólicas ou simplesmente mágicas. Colocam-se flores como íris, rosa e crisântemo; folhas de cenoura, cereja e pêssego; frutas como cidrão, tangerina e laranja; raízes de lótus, gengibre e íris; produtos de arroz, como saquê, vinagre e farelo e toda a enorme variedade de algas.

5. Banheiros

O século XX impôs um salto quantitativo na qualidade de vida das sociedades. O processo de tratamento de água se iniciou no mundo, fazendo do banho e do consumo de água um procedimento seguro para a saúde. A água encanada, o saneamento básico e mudanças culturais fizeram com que a civilização moderna se tornasse seguramente mais limpa e saudável. Os avanços tecnológicos foram decisivos para que se desenvolvesse uma sociedade voltada para a limpeza, beleza e bem estar.

Os banheiros agora definitivamente dentro das casas começaram a ser reinterpretados e sofisticados, acompanhando a evolução da sociedade e sua cultura para atender as necessidades de cada momento histórico. Com o surgimento de banheiros modernos e funcionais, veio a obrigação do banho diário – em oposição ao banho quinzenal, tão em moda na Europa até o final da II Guerra Mundial. Hoje tomamos banhos todos os dias porque sabemos que o asseio pessoal é uma questão de saúde. Tomar banho passou a ser tarefa diária e prazerosa. Os chuveiros entraram definitivamente na vida cotidiana. O mundo moderno passou a cultuar o banho e o asseio como uma forma de preservação da saúde e do bem estar.

Nossos hábitos mudaram, por que o banheiro não mudaria? A decoração dos interiores das casas chega até os banheiros e passamos a observar a modificação estética desse espaço que se torna, no final do século XX, um espaço de descanso e saúde.

Os banheiros tornaram-se ambientes importantes no design de interiores, e em muitos casos até símbolos de poder econômico. Podem ser simples e racionais, ou verdadeiras salas de banho com sauna e área de repouso. Podem ter amplas janelas e vistas maravilhosas. Para alguns devem ser práticos e pequenos e onde se permanece somente o tempo necessário para a higiene pessoal. Para outros são refúgios, locais para descansar e relaxar, devendo ser espaçosos e confortáveis.

Por ser um dos ambientes mais caros numa construção, podem ser complexos e cheios de detalhes, mas devem, principalmente, ser funcionais e arejados. Os banheiros não são o tipo de espaço que pode ser planejado e executada num impulso. Mais do que banheiros foi recriado o conceito de Salas de Banhos: um lugar para ler, ver TV, conversar, relaxar. Um lugar ideal para fazer tudo e não fazer nada...

6. Conclusão

O conceito de banheiros e salas de banho se ampliou e abriu as portas de nossa imaginação. A água e seus efeitos, comprovadamente terapêuticos, hoje se somam a ambientes convidativos: arquitetos, designers e decoradores dão um banho de bom gosto a favor do nosso reequilíbrio diário. Os projetos de banheiros, verdadeiros templos modernos de bem-estar, devem priorizar o conforto à praticidade, o prazer à simplificação.

Hoje voltamos a expor nossos corpos sem pudor, como fazíamos na Antiguidade. Mas isso não ocorre mais durante o ato de se lavar, que virou um método individual, estritamente íntimo, de se preparar para a exposição pública, ao mesmo tempo em que trajes valorizam o corpo e deixam adivinhar suas formas. Não é à toa que todo banheiro contemporâneo que se preze tem um espelho – um objeto que há cerca de dois séculos dificilmente seria visto num lugar como esse. Atualmente nosso banho deixou de ser um ato público, mas ainda é premissa fundamental para que os outros tenham uma boa impressão de nós mesmos.

Quando nos lavamos, estamos fazendo um ritual de deixar ir embora tudo aquilo que não precisamos mais, numa dedicação individual a nós mesmos. As asperezas do mundo, mandamos por águas abaixo.

Vale aqui, uma pequena reflexão sobre o principal elemento deste prazer – a água! É preciso ter consciência e usá-la sem desperdício, para que seu prazer seja garantido ainda, a muitas e muitas gerações.

Um comentário:

Aida Cristina disse...

Achei maravilhosa a pesquisa, estava fazendo um trabalho sobre a agua e acessei o conteudo... realmente excelente, Parabéns!
Aida