quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

OS MUNDOS


 Mundo, na verdade, é convenção, como tudo. O mundo pode ser grande como se imagina, e pequeno como não se pensa. Convencionou-se que o mundo é enorme, sem principio e sem fim, grande, inimaginável.

                                             Mas, quando a gente imagina um mundo assim, não há mundo.

                                             Há, porém, os mundos que conhecemos, o real e o imaginário. Ou o pessoal e virtual.

                                            Nos dias de hoje, com a chamada internet, temos dois mundos reais, o pessoal e o virtual. Antes, no passado, havia o mundo mental, imaginário e o outro mundo real, palpável.

                                            Qual a diferença? Teoricamente há muita, mas na prática os dois se confundem, se entrelaçam. O mundo virtual é aquele que existe na imaginação das pessoas, é aquele que mostra o que tem mais de expressivo no âmago, no íntimo das pessoas. Se a pessoa é recalcada, haverá recalques no mundo virtual; se a pessoa se acha marginal, por certo haverá marginalidade no relacionamento com outras pessoas; se a pessoa tem uma inteligência e assim se acha, por certo refletirá nos seus relacionamentos virtuais.

                                         
                                                   O curtir, o comentar, o compartilhar, o elogiar, o criticar depende única e exclusivamente do estado pessoal da pessoa que reflete no virtual. Complicado?

                                            Não. A pessoa normal, comum, tem um comportamento natural ditado pelas normas sociais e éticas da comunidade em que vive. É assim, com uma ou outra dissidência. O coletivo impõe o comportamento social do indivíduo, salvo se é considerado anormal.

                                            O mesmo comportamento normal tem que ser manifesto no meio virtual, no meio imaginário do mundo tecnológico. Há os próprios mecanismos de filtro e de censura imposto pelos  proprietários dos sites chamados de redes sociais. Por outro lado, há também a comunidade em que a pessoa é inserida, se inconveniente, é deletada, é colocada no ostracismo, é esquecida ou ignorada; há que ser comum, como todos os demais, apenas respeitando as suas peculiaridades. Há pessoas que são mais flexíveis quanto ao aspecto moral, outras quanto ao aspecto social, outras racial, outras na ética, contanto que não sejam muito divergentes a ponto de serem rotuladas como anormais.

                                            Há um crescimento gigantesco do mundo virtual/ imaginário na internet, pois no mundo real/pessoal há os escolhos. Há os assaltos, há o preço do deslocamento de um ponto a outro, há a demora de translado, há o custo do vestuário e do consumo no local do encontro. Também, há o medo do encontro entre pessoas, pois pode haver decepção daquilo que se espera da outra.

                                            Todos esses óbices não existem no mundo virtual. Há o engodo, o engano, a simulação. Não há gasto com transporte ou vestuário ou consumo. Não há risco de assaltos ou balas perdidas. E não há a decepção, pois não se mostra o verdadeiro eu, ou, se há, se mostra de maneira paulatina, devagar e que a outra pessoa não sofre o impacto.

                                            São essas as considerações sobre o pessoal e o virtual.

                                            O que importa é o mundo que se vive, e vivemos nos dois mundos. Qual seria o melhor? Os dois, concordas?


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